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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Praticando o espírito? Hein?!




“Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir”. 1 Tm. 4.8

Exercitar-se fisicamente é muito bom (desde que isso não se torne o nosso objetivo central de vida, é claro), além de cuidar de nossa saúde, nos ajuda a ter disciplina, mas como não somos somente um ser material, mas também imaterial (alma/espírito), o exercício só físico jamais será suficiente para nós, uma vez que será útil somente aqui nesta vida. Exercitar o espírito será tanto bom para a vida que temos hoje aqui na terra, quanto para a que está por vir e está é eterna. Piedade, no Novo Testamento, tem geralmente o sentido de devoção a Deus e respeito às coisas religiosas (e não no sentido de compaixão), ou seja, fala da vida espiritual, o que parece bem adequado, pois no versículo citado está em contraposição a atividade física.
Exercitar o espírito não é condicionamento e sim relacionamento. É “provar e ver que o Senhor é bom e como é feliz o homem que nele se refugia!” (Sl. 34.8).
As práticas espirituais estão relacionadas entre si. É importante destacar que elas não mudam o coração de Deus, não nos tornam mais merecedores, mas nos trazem intimidade com Deus. Passamos a enxergar a vontade de Deus para nós, subjugando a nossa vontade a Dele e lidando melhor tanto com seu "sins" tanto quanto com seus "nãos".

“Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”  Mt. 6.33

As práticas “espirituais” podem não ter, de fato, valor espiritual, ou seja, não surtir efeito em nós, devido a alguns fatores elencados, abaixo:

·      Ira, amargura, ciúmes, discórdia (1 Tm. 2.8).
·      Falta de perdão (Mt. 6.15).
·      Falta de conhecimento (Os. 4.6a).
·      Automatismo (fazer de forma automática, por fazer).
·      Desobediência a pais, marido, pastores, outras autoridades.
·      Falta de unir as demais práticas espirituais.

Leitura da Palavra

 “Toda a Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça.” 2 Tm. 3.16

A Bíblia é a Palavra de Deus, sabemos disso, pois:

·       Ela é poder de Deus e salva vidas (Rm. 1.16).
·       Deus zela pela sua palavra (Ap. 22.18.19).
·       Seus livros se completam e não se contradizem.
·       Ela é completa. Não precisa de livros adicionais. Ter livros complementares a Bíblia  é uma característica essencial para se identificar uma seita.

A Palavra é nosso manual. A Bíblia não explica tudo que gostaríamos de saber, mas tudo que precisamos compreender (Dt. 29.29; 2 Pe. 1.3). Precisamos dispor de tempo todos os dias para meditar na Bíblia (Sl. 1.2), não se contentando em apenas passar os olhos pelas páginas, examine, para, de fato, ouvir e entender o que Deus tem a dizer (Jo. 5.39).  Estude com oração.
Na medida do possível, grave a ideia geral dos capítulos, os versículos-chave,  faça um paralelo com a sua realidade e encontre formas de colocar em prática em sua vida.

Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti”. Sl, 119.11

Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.” Tg. 1.25

Adoração

Amar, cultuar a Deus pelo que Ele é, pelos seus atributos pessoais, POR QUE ELE É DIGNO, SANTO, ELE É O CRIADOR! É confessar a Sua glória, majestade, o seu poder, independente do que Ele faça ou da nossa situação.

"Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado, todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é minha força, ele fará os meus pés como os da corça, e me fará andar sobre os meus lugares altos." Hc.3:17-19

"Adorai ao SENHOR na beleza da santidade; tremei diante dele toda a terra." (Salmos 96:9)

Adoramos a Deus através de uma vida aprovada por Ele (2 Tm. 2) e de um coração quebrantado, disposto a se arrepender, a perdoar e a pedir perdão. Vai além de ações que possamos executar num culto. No A.T, vemos que a adoração está muito relacionada ao arrependimento, nos sacrifícios que apontavam para Cristo, nosso mediador, e levando o ser humano a reconhecer suas falhas e sua dependência de Deus, embora fossem situações com momento e com local definido. 
Já no N.T, em Jo. 4.23, compreendemos melhor a profundidade do ato de adorar: “em espírito” indica o nível (não superficial, aparente) da adoração e a condição (nascer do Espírito, ser espirituais, constituídos filhos através do Espírito de adoção). “Em verdade” indica o como, sem falsidade, sendo um corpo em Cristo que é a verdade. Além de tudo isso, neste contexto em que Jesus conversa sobre teologia com uma mulher e, ainda, samaritana, e o fato de termos um Deus que é Espírito, pressupõem-se que não exista mais lugar, nem tempo, nem classe social ou sexo, que não possa permitir que alguém seja um adorador, além do arrependimento verdadeiro.

Louvor

Cultuar, agradecer, reconhecer, engrandecer a Deus pelo que Ele faz.

“Portanto, ofereçamos sempre por ele (Jesus) a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome”.  Hb. 13.15

Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores”. Tg. 5.13

O louvor é fruto no sentido de produto, consequência, resultado de uma vida de experiências com Deus, por isso, não pode DE FORMA ALGUMA se limitar a música.

“Rendei graças ao Senhor PORQUE Ele é bom” Sl.136:1

    Também louvamos ao Senhor através de nossas atitudes, de cânticos, da oração, de ofertas, com um coração grato a tudo que ele nos deu, inclusive o dom da vida. 

Oração

Para saber um pouco mais sobre o assunto leia o post: Fila da oração.

Oração é conversar com Deus sobre diversos assuntos e de diversas maneiras. A oração não precisa ser treinada, devemos buscar o hábito de orar com sinceridade e regularidade, o hábito de buscar estar em comunhão com Deus, de conversar com Ele, e com o tempo vamos tendo cada vez mais assunto para conversar, pois nos tornamos seus amigos íntimos.
A oração não faz parte da armadura de Deus, mas é um preparo para a batalha espiritual (Ef. 6. 17-18). A oração de um justo é a oração feita por alguém justificado por Cristo, que teve seus pecados lavados pelo sangue de Jesus (Tg. 5.16; Jo. 9.31; Is. 59.2).
Deus quer nos conceder aquilo que pedimos em oração, desde que esteja de acordo com sua vontade, pois Ele, como um bom pai, sabe o que é melhor para nós (Mc 11.24-26).
A oração modelo, o chamado "Pai nosso", está bem explicado no post indicado no início deste assunto.

Tipos de oração

Deus como centro de nossas orações
Ações de graça (Salmo 103).
Louvor (Lucas 1.46-55).
Adoração (Salmos 100).

Nós mesmos como centro de nossas orações
Petição (Salmo 59)
Entrega (Salmo 38; 2 Cr. 20.5-12)
Confissão (Salmo 51; Esdras 9.5-15)

Os outros como centro de nossas orações: interseção (João 17)

Pelo que orar?

·       Por nós mesmos (relacionamento conjugal, filhos, confessar pecados e dificuldades, agradecer).
·          Familiares (pais, filhos, parentes, finanças, necessidades, sogros, irmãos, cunhados, sobrinhos).
·      Igreja (pela igreja como um todo na terra, pastores, ministérios, líderes, células, jovens, casais, conversões, discipulados, crescimento, santidade e avivamento, manifestação de dons espirituais e fruto do Espírito, eventos e demais trabalhos).
·            Trabalho/escola (futuro, direcionamento capacitação, avanço, resultados, colegas, chefes/professores). 
·       Amigos (conversão, necessidades e famílias), enfermos, desempregados, pessoas carentes, viúvas, pessoas que perderam entes queridos, órfãos; pela sua cidade (prefeito, vereadores, população, conversão de vidas).
·       Governantes do país e demais estados; por outros países (expansão do evangelho, direitos humanos, catástrofes naturais), etc.

Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.” (1 Tm. 2.1-4)

Deus não se agrada de vãs repetições, por isso não precisamos ficar repetindo orações feitas (Mt. 6.7), tornando essas orações em reza. A reza, que está relacionada a repetições, ficou uma palavra mal vista no meio evangélico devido ao seu uso mais pronunciado no universo católico, porém não deixa de ser um recurso que deve ser utilizado em momentos específicos, por exemplo quando estamos sem forças, sem palavras para dizer, rezamos (repetimos) um Salmo, ou a oração do Pai nosso, ou outro texto bíblico, para trazer a memória e ao coração as promessas do Senhor. Não é errado, lembre que Deus vê o seu interior, só ele sabe se você está fazendo algo mecânico ou com amor.

Jejum Bíblico

No tempo de Moisés, o povo tinha um único jejum instituído por Deus (Lv. 23.27; Jr. 36.6), chamado aqui como um dia de aflição da alma, como forma de humilhação e pedido de perdão de pecados. Porém, o povo jejuava em muitas ocasiões: tristeza (Jz. 20:26; 1 Re. 21:27; Et. 4:3); confissão de pecados (1 Sm. 7:6; Jn. 3:5; Ne. 9:1-2); e buscar ao Senhor (2 Cr. 20:3; Ed. 8:21, 23).
No novo testamento, não encontramos nenhuma obrigação quanto ao jejum, mas os ensinamentos bíblicos demonstram que ele é altamente recomendável:

·        Jesus jejuou (Mt. 4).
·       Jesus disse que existem castas de demônios que só se expulsam com jejum e oração (Mt. 17.21).
·      Jesus nos ordenou a guardar tudo que Ele havia ensinado (Mt. 28.20) e Ele ensinou como deveria ser o nosso jejum (Mt. 6.16-18).

O jejum sem oração ou leitura da Palavra não tem efeitos espirituais, caso contrário será apenas dieta ou greve de fome, pois ao mesmo tempo que abrimos mão de nossos desejos físicos ou emocionais, precisamos fortalecer nosso espírito, nosso relacionamento com Deus. Veja no texto de Isaías a profundidade do jejum, assim como das demais práticas espirituais, em expressar uma busca por mudança, em buscar ter o caráter de Deus, a quilômetros de distância de ser algo somente ritualístico.

“Dizendo: Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos as nossas almas, e tu não o sabes? Eis que no dia em que jejuais achais o vosso próprio contentamento, e requereis todo o vosso trabalho. Eis que para contendas e debates jejuais, e para ferirdes com punho iníquo; não jejueis como hoje, para fazer ouvir a vossa voz no alto. Seria este o jejum que eu escolheria, que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a sua cabeça como o junco, e estenda debaixo de si saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aprazível ao SENHOR? Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda.” (Is. 58.3-8)

   Jonh Piper, ressalta que quando estamos em jejum, expressamos nosso desejo intenso pela vinda do Reino, do Noivo, pela transformação do mundo, por isso, este Reino precisa ser expresso em nossos atos de jejum, conforme falado no texto acima de Isaías.  Para Piper, também é uma forma de expor idolatrias escondidas, nosso caráter e personalidade se sobressaem e demonstramos como está nosso coração, sem o alívio da comida, onde estará a nossa estabilidade emocional? Será que este ato nos deixará com raiva, ou nos fará buscar outras coisas para a nossa distração? Como afetará nossos relacionamentos? 

Como tem que ser o jejum Bíblico?


·       Em secreto (Mt. 6.16).
·       Com alegria (Zc. 8.19; Mt. 6.17).
·       Não é para nós nos ocuparmos somente com os nossos afazeres (Is. 58.3).
·       Tem que haver paz, liberdade, bondade, solidariedade, amor (Is. 58.6-7).

Tipos de jejum:

        ·      Parcial: de algum ou alguns alimentos em particular (Ex. Daniel – Dn. 10.2,3)
        ·      Normal: abstinência de alimentos, com consumo de água. (Ex. Jesus – Mt. 4.2).
        ·      Total: abstinência de água e alimento. (Ex. Ester e o povo judeu – Et. 4.16).

Atualmente, com as diversas coisas que o mundo nos oferece e acabam por nos tornar escravos de certas práticas, impedindo que separemos mais tempo para Deus, ampliou-se os tipos de jejum que fazemos (televisão, internet, etc.).  Entretanto, não existe referência bíblica para isso, sendo a aplicação de um conceito (jejuar, abster-se de alimento por um motivo espiritual), a outros usos. Talvez o termo mais correto seria propósito e não jejum (que se aplica a alimentos), mas não me apego muito a conceitos. Também não se fala em jejuar de práticas que de fato devem ser deixadas, por exemplo: jejuar de falar palavrão, jejuar de cigarro, essas são práticas devem ser abandonadas por quem quer ter o caráter de Cristo.

Propósito do Jejum

·         Demonstração concreta do arrependimento: 1Sm. 7.6; Ed. 10.6; 1 Re. 21.26-27.
·         Para entender algumas coisas: At. 9.9;  Ne. 1.4;  2 Cr. 20.3.
·         Como forma de intercessão: 2 Sm. 12.16; Ed. 8.21-23; Es. 4.16.
·         Maior comunhão e não se contaminar com o mundo: Lc. 2.36-37; Dn 1.8.
·         Para tomar uma decisão importante: At. 13.2-3.
·         Para capacitação:  Mt. 17.20,21.
·         Não jejuamos para conquistar algo material.

Dízimos e ofertas

Ofertar também é uma prática espiritual, pois exercita nossa confiança na capacidade provedora de Deus, nossa disposição em ajudar as pessoas, nosso desapego material. Já fiz um post BASTANTE detalhado sobre este assunto, "A bênção não pode parar em nós".

Exercitando nosso espírito, a consequência será íntima comunhão com Deus e, por conseguinte, a geração do Fruto do Espírito em nós (Gl. 5. 22-23).

Referências

- Prazer da Palavra. Disponível em: http://www.prazerdapalavra.com.br/
- Estudos da Bíblia. Disponível em: http://www.estudosdabiblia.net/
- Estudos Gospel. Disponível em: http://estudosgospel.com.br/
- Monergismo.com. Disponível em: http://www.monergismo.com/

- Qual o propósito do Jejum? Pastor John Piper responde. Disponível em:  https://www.youtube.com/watch?v=DJTxxMBFgoc